Fark completa em 2012 quinze anos de atividade

 

 

Fark é um agregador social de notícias. Inspiração de sites atualmente mais famosos, como Digg e Reddit, caracteriza-se pelo modo irreverente como seus usuários descrevem o conteúdo agregado. De acordo com os administradores, o site recebe em média 2.000 submissões diárias, que são postadas em seis categorias: Business, Entertainment, Politcs, Sports, Geek e Video.

Mas a característica que surpreende é que o Fark é fechado. Para ter acesso à todos os links agregados pelo suporte, através da página TotalFarks, cobra-se uma taxa – 5 dólares por mês, US$ 25 por seis meses de assinatura ou US$50 por um ano.

Para conhecer melhor o projeto, as regras de postagem e a estrutura definidora da hierarquização da informação disposta no site acesse a página de FAQ do Fark.

 

Mais

Hacker el Periodismo

Site Agregador de Notícias ganha Pulitzer

Apresentação de Hackear el Periodismo, livro de Pablo Mancini

O site agregador de notícias The Huffington Post ganhou seu primeiro Prêmio Pulitzer

O Site Agregador de Notícias Huffington Post ganhou seu primeiro Prêmio Pulitzer nesta semana. A série Beyond The Battlefield, produzida pelo jornalista David Wood, foi congratulada na categoria Nacional Reporting. Em seu trabalho, Wood escreveu sobre militares que estiveram em campos de guerra no Afeganistão e Iraque. Suas fontes principais eram homens e mulheres que retornaram da guerra mutilidados e com sérias complicações de saúde física e psicológica.

The Huffington Post 

O site Huffington Post foi criado há sete anos e é conhecido tanto por ser um agregador de notícias automatizado quanto por contar com a colaboração na produção de conteúdo de milhares de jornalistas e blogueiros. Além da versão original norte-americana, o Huffigton também tem versões para o Canadá, Reino Unido e França. Para este ano, está programado o lançamento de versões da Espanha (em parceria com o El País) e Brasil (poucas informações sobre parceirias foram divulgadas).

No mês passado, o Huffington foi personagem central de umartigo escrito por David Carr e publicado no The New York Times. No artigo, Carr propôs uma espécie de código de conduta para agregadores e citou casos e empresas para justificar sua tese de que “agregadores são como trombadinhas”. No dia seguinte à publicação da coluna, o Huffington Post se manifestou e refutou a teoria de Carr de que “agregadores são como batedores de carteira”. Segue um trecho da declaração publicada pelo Huffington:

“Nos últimos 28 dias, redirecionamos mais de 284.000 leitores para NYMag.com, devido às histórias que ‘linkamos’ em nossa página principal. No mesmo período, redirecionamos mais de 150.000 leitores ao The New Republic [...] Ambos os casos, e inúmeros outros, refletem um princípio fundamental do HuffPost: mesmo se tivéssemos um orçamento ilimitado para produzir conteúdo original ilimitado, nós ainda agregaríamos, pois nosso objetivo é orientar nossos leitores para as melhores histórias disponíveis – sejam elas criadas por nossos repórteres, editores e blogueiros, ou por outros.”

Prêmio Pulitzer para publicações on-line

Este ano, duas mídias exclusivamente on-line receberam o Pulitzer. Além do Huffington Post, o site Politico obteve o reconhecimento na categoria Editorial Cartooning com os desenhos de Matt Wuerker. O Politico foi criado em 2007 por ex-jornalistas do Washington Post.

Esta é a segunda vez que um conteúdo não impresso é reconhecido com o Pulitzer. Em 2011, a organização independente de notícias ProPublica venceu na categoria National Reporting. No ano anterior, o mesmo ProPublica já havia recebido um Pulitzer na categoria Investigative Reporting. Porém, naquela ocasião, o conteúdo produzido pela organização foi publicada impressa em parceria com o The New York Times Magazine.

Distribuído desde 1917, o Prêmio Pulitzer passou a considerarpublicações on-line a partir de 2008.

Mais

Todos os vencedores do Prêmio Pulitzer 2012.
Entrevista em vídeo com David Wood, do Huffington Post.

 
 

*Texto originalmente publicado no blog do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-line – GJOL.

O futuro do Jornalismo segundo Krishna Bharat, criador do Google News

Krishna Bharat. Criador do Google News.

O Agregador de Notícias Google News nasceu como um projeto pessoal do PhD em Ciência da Computação Krishna Bharat, depois dos atentados de 11 de setembro. A ideia inicial era desenvolver uma ferramenta que auxiliasse seu pai, que vivia na Índia, a obter informações sobre os Estados Unidos. Em 2001, Bharat já era funcionário do Google. Hoje, de acordo com o próprio criador, o Google News tem a função de ajudar as pessoas a encontrar facilmente várias perspectivas sobre uma mesma notícia usando computadores para agrupar links de histórias semelhantes. O surgimento de um agregador, ainda de acordo com Bharat, é uma consequência direta e inevitável de uma das vantagens trazidas pela web: a abundância de informação.

No vídeo abaixo, gravado durante uma conferência na Universidade de Stanford, Bharat comenta sobre o passado e o futuro do Google News e aponta o que para ele são questões crucias para os próximos anos do jornalismo.

 

O argumento de Bharat e do Google é que o crescimento da quantidade de informação não acompanha o incremento da qualidade. Temos acesso a uma variedade de dados, mas, com frequência nos falta contexto e possibilidade de interpretação da informação difundida. Por isso, para Bharat, a diferenciação das organizações jornalísticas com perfis editoriais cada vez mais específicos e o investimento em novos formas de narrativa (living stories e data journalism, por exemplo) devem ser as principais mudanças no jornalismo contemporâneo. Os filtros, seja um site agregador de notícias automatizado ou um site de rede social, vão cumprir a função de distribuir e hierarquizar as notícias a partir da qualidade do conteúdo. O desafio do Google News é conseguir criar essa capacidade de discernimento, inerente ao usuário-leitor humano, no algoritmo curador.

Mais:

Lista de Sites Agregadores de Notícias

Lista de Sistemas Agregadores de Feeds

Usando a Web Semântica para dar respostas mais inteligentes

 

Google está preparando uma grande mudança em seu sistema de busca com o objetivo de se manter competitivo e incorporar novas tecnologias de web semântica. A notícia da atualização foi destaque em vários sites ontem e hoje. Agreguei alguns links para as matérias mais completas:

 

Google Gives Search a Refresh – The Wall Street Journal

Google plans major revamp for search engine – CNET News

Google Search Changes In A Nutshell: Please Stop Talking Trash About SPYW, We Have Semantic Search! - Techcrunch

Google plans major overhaul of its search – Infoworld

 

Mais:

Tornando o conteúdo e nossas ferramentas mais inteligentes

 

Comparando o Twitter com o Digg e Reddit – Sites Agregadores de Notícias com Participação Social

 

Mais de 65% dos adultos on-line tem perfil em um ou mais site de rede social. Este número cresceu consideravelmente nos últimos dez anos motivado por usos pessoais e profissionais. Para o jornalismo digital, a participação social é fator determinante no processo de redistribuição de conteúdos noticiosos. O infográfico abaixo* compara dados de dois Sites Agregadores de Notícias que se apropriam de práticas sociais para definir sua estrutura organizacional, construir uma ontologia e determinar a hierarquia do conteúdo apresentado – Digg e Reddit – com um dos principais Sites de Rede de Social no mundo – o Twitter.

 

 

Resumo dos dados:

TWITTER

  • 41% homens e 59% mulheres;
  • 58%  com mais de 35 anos;
  • 23% entre 25 e 34 anos;
  • 54% tuitam do celular;
  • Tempo médio de permanência no site – 11:50 minutos por visita;
  • 127 milhões de usuários ativos;
  • 83% tem ensino superior.

 

REDDIT

  • 66% homens e 34% mulheres;
  • 52% com mais de 35 anos;
  • Maiores audiências do Site – seções de humor, politica e tecnologia;
  • Tempo médio de permanência no site – 16:40 minutos por visita;
  • 84% tem ensino superior;
  • Média de visitantes únicos por mês desde o lançamento – 5.5 milhões (O Reddit foi lançado em 2005. No mês de outubro do ano passado registrou 28 milhões de visitas únicas)

 

DIGG

  • 55% homens e  45% mulheres;
  • 52% tem menos de 35 anos;
  • Maior audiência do site: seção de discussão sobre SEO e Marketing;
  • Tempo médio de permanência no site – 6 minutos por visita;
  • 87% tem ensino superior;
  • Média de visitantes únicos por mês – 4.5 milhões.

 

*Versão resumida do Infográfico. Para mais informações acesse o link.

 

Mais:

Sincronização de uma memória mundial multicultural em tempo real

Lista de Sites Agregadores de Notícias de todo o mundo

Agregadores não são batedores de carteira

 

Leia a declaração do site agregador de notícias The Huffington Post sobre a coluna de David Carr publicada no The New York Times

 

Há alguns dias destacamos no Agregativo o artigo publicado por David Carr em sua coluna no The New York Times sobre Sites Agregadores de Notícias. Neste artigo, Carr propôs uma espécie de código de conduta para agregadores e citou casos e empresas para justificar sua tese de que “agregadores são como trombadinhas”. No dia seguinte a publicação da coluna, uma das empresas citadas, o site agregador The Huffington Post, se manifestou e refutou a teoria de Carr de que “agregadores são como batedores de carteira”. Motivados pelo artigo de David Carr, o HuffPo publicou a declaração abaixo.

HuffPost sempre foi comprometido com os devidos créditos e ‘linkagem’ para o trabalho dos outros, ao contrário das insinuações feitas ontem na coluna David Carr no The News York Times. E, como observa Carr, nós prontamente admitimos quando ficamos aquém dos nossos próprios padrões. Mas se Carr tivesse seguido a tradição jornalística de pedir para os que são criticados em um artigo comentar o assunto, teríamos tido o prazer em fornecer alguns números relevantes – embora talvez ele se absteve de perguntar porque suspeita que esses números pudessem contradizer a sua tese de ‘agregadores como os batedores de carteira’.

Nos últimos 28 dias, redirecionamos mais de 284.000 leitores para NYMag.com, devido às histórias que ‘linkamos’ em nossa página principal. No mesmo período, redirecionamos mais de 150.000 leitores ao The New Republic. Uma grande quantidade de tráfego foi motivado por termos a nossa ‘top-of-the-page headline’ (manchete em destaque no site) ‘linkada’ diretamente a história fantástica de Noam Scheiber sobre o memorando Larry Summers e seus efeitos sobre a economia americana durante o primeiro mandato de Obama. Ambos os casos, e inúmeros outros, refletem um princípio fundamental do HuffPost: mesmo se tivéssemos um orçamento ilimitado para produzir conteúdo original ilimitado, nós ainda agregariamos, pois nosso objetivo é orientar nossos leitores para as melhores histórias disponíveis – sejam elas criadas por nossos repórteres, editores e blogueiros, ou por outros.

Quanto ao Conselho de Ética de Agregação e ‘Blogagem’ – o grupo de fiscalização destacados na coluna de Carr – nunca fomos convidados a participar, algo que teriamos dito para Carr caso ele tivesse perguntado, ao invés de deixar seus leitores com a implicação falsa de que nós tínhamos escolhido não fazer parte do esforço.*

* Declaração originalmente publicada em inglês e traduzida pelo autor deste blog. Para ler o conteúdo original e a resposta de David Carr sobre os argumentos do HuffPo acesse a coluna de Andrew Beaujon no Poynter.

* Os link contidos na declaração também foram publicados na versão divulgada pelo Poynter.

 

Mais:

Sistemas motores de busca terão que pagar para indexar notícias na alemanha

Tornando o conteúdo e nossas ferramentas mais inteligentes

 

Governo Alemão quer que sistemas motores de busca e sites agregadores de notícias paguem para indexar conteúdos de jornais da Alemanha. Nos EUA, o Google é a principal fonte de tráfego para sites de notícias.

 

 

O governo alemão quer que sistemas motores de busca na web e sites agregadores de notícias paguem para as organizações jornalísticas por uso de seus conteúdos. Esta foi a conclusão do comitê formado pelo governo para definir questões de direito autoral e proteção a propriedade intelectual de empresas jornalísticas. O comitê propôs que deve-se criar uma entidade dedicada a cobrança de taxas de empresas que indexem notícias de veículos germânicos. “O termo de proteção terá duração de um ano sobre os conteúdos”, definiu o comitê.

A posição do comitê, apoiada pelo governo, segue a linha de argumentações da Federação Alemã de Editores e Jornais e da Associação de Editoras Alemãs de Revistas, que, desde 2009 pressiona por mudanças na legislação. A notícia sobre a decisão do governo alemão foi divulgada pelo site paidContent.org. O documento elaborado pelo comitê alemão pode ser acessa através deste link (texto em alemão).

Google Search e Google News são as principais fontes de tráfego para os grandes sites de notícias

A decisão do comitê alemão pode ser contraditória e precipitada se analisarmos o estudo conduzido pelo Centro Pew Research para Excelência em Jornalismo digulgado no ano passado. A pesquisa analisou o comportamento de  usuários da web durante nove meses de 2010 e usou estatísticas da Nielsen para mensurar os resultados. Foram observados 25 sites de notícias estadunidenses. Dentre os sites pesquisados:

Onze são sites de jornais impressos:

  • The New York Times
  • The Washington Post
  • USA Today
  • The Wall Street Journal
  • The Los Angeles Times
  • New York Daily News
  • New York Post
  • Boston Globe
  • San Francisco Chronicle
  • Chicago Tribune
  • Daily Mail

Seis são sites de canais de Televisão: 

  • MSNBC
  • CNN
  • ABC
  • Fox
  • CBS
  • BBC

Cinco são sites agregadores de notícias:

  • Google News
  • Examiner
  • Topix
  • Bing News
  • The Huffington Post

Dois são produtos nascidos na web:

  • Yahoo! News
  • AOL

Um é uma agência internacional de notícias:

  • Reuters

A estudo concluiu que Google Search e, em menor grau, o Google News permanecem como o maior condutor único de tráfego para os principais sites de notícias. Em média, o sistema motor de busca foi responsável por 30% do tráfego para os sites de notícias citados acima. A gráfico abaixo mostra o percentual de audiência do Google comparado com outros sites que distribuem informação noticiosa.

A pesquisa do Centro Pew Research para Excelência em Jornalismo pode ser acessada através deste link.

 

Mais

Comparando aplicativos de agregadores de notícias para tablets e smartphones

Associated Press processa o Meltwater News

Jornalismo e SEO: combinação perfeita?

 

Matéria de David Carr para The New York Times sobre agregadores de notícias e de conteúdos

 

 

“Where is the line between promoting the good work of others and simply lifting it? Naughty aggregation is analogous to pornography: You know it when you see it.”

Leia o artigo na íntegra no NYTimes.

 

Mais

Fragmentação, reorganização e redistribuição de notícias na web

 

Análise de sentimentos e a interação com as máquinas

 

“…the way we program computers: we use a limited language with rigid syntax to designate a set of commands and responses. The magic of human communication is that it isn’t merely a conduit for information. We often want to amuse, inspire, surprise, or persuade. Abstraction and ambiguity—we have many ways of describing a single concept—give us the flexibility to communicate artfully. This enables a rich culture of literature, art, philosophy, and politics. Ambiguity is a critical aspect of that which makes us human.”

“…no machines yet parse ambiguity as well as we do. But we’re no longer just communicating through machines, we’re increasingly communicating to machines. Often that means adopting new modes of behavior.”

“…This process of disambiguation—so natural in human communication—is just as important in our interactions with computers, but they have to be designed to communicate that way.”

 

LOVINGER, Rachel. First Principle: Disambiguation. On-line.

 

Mais

Sincronização de uma memória mundial multicultural em tempo real

A fragmentação da oferta de notícias na web causou uma resignificação no comportamento da instituição jornalismo

 

A internet alterou o modo pelo qual as informações noticiosas são consumidas. Na web, é mais fácil para os consumidores personalizarem sua cobertura e alternar entre fontes – quase sempre sem aumento de custo. On-line, os artigos, entrevistas e reportagens são observados e ofertados como produtos individuais. Hoje, a realidade é que o leitor-usuário tem uma infinidade de opções. E são tantas possibilidades que os filtros tornam-se necessários.

Ao observar Sites Agregadores de Notícias, como o premiado PopURLS, percebe-se que a lógica de fluxo de informação na web – conteúdos oferecidos individualmente, somados a imposição da instantaneidade por parte da audiência que consome informação noticiosa on-line, provoca o rompimento da periodicidade como conhecíamos, através do qual os conteúdos eram oferecidos agregados num único produto – impresso e jornalismo televisivo, por exemplo, e formatavam um dimensão de tempo bastante particular. A fragmentação da oferta de notícias na web causa uma resignificação no comportamento da instituição jornalismo. A periodicidade, assim como a variação de fontes, faz com que, através de uma nova experiência temporal, tenhamos novas relações com o próprio conteúdo, agora redistribuído em fragmentos de informação.

Estas novas relações estão diretamente ligadas ao modo como estes conteúdos fragmentados serão reorganizados e redistribuídos, ou seja, como funcionam os filtros e quais são suas lógicas de hierarquização dos conteúdos.

 

Layout do PopURLS - Fragmentação de conteúdos, reorganização e redistribuição através de sistemas inteligentes.

 

Mais:

 

Periodismo en tiempos de google
Otimização para motores de busca – google news
Este homem quer acabar com o jornalismo impresso

 

 

Aplicativos de Agregadores de Notícias para iPad, iPhone, Andoid, Windows Mobile, BlackBerry etc.

 

 

O site paidConten.org, pertecente ao grupo ContentNext Media, empresa de mídia com sede em NY, publicou recentemente uma tabela com informações bastante uteis sobre Aplicativos de Agregadores de Notícias para iOS, Android, Windows Mobile etc.

Informações como custo, técnicas de agregação, opções de customização e plataformas são oferecidas sobre aplicativos como Editions, Flipboard, Pulse, Zite, Float, News.me, SkyGrid entre muitos outros.

Leia a tabela completa.

Nós do Agregativo estamos recolhendo vários exemplos de aplicativos de Agregadores de Notícias para formatar uma lista ainda mais completa, assim como continuamos ampliando nossa lista de Sites Agregadores de Notícias e de Sistemas de Agregação de Feed/RSS.

Caso conheça algum aplicativo, site ou sistema de agregação de feeds, compartilhe.

 

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Mais:

Associated Press processa o Meltwater News

Sincronização de uma memória mundial multicultural em tempo real

Huffington Post espanhol, SEO e o jornalismo de baixo custo

 
 

A maior agência de notícias do mundo processa um serviço de agregação norte-americano por infração de copyright

 

É briga! a famosa foto de Muhammad Ali clicada em 1965 pertence à AP.

 
A Associated Press divulgou na última terça-feira (14) que está processando uma empresa de assinatura de notícias, o Meltwater News, alegando que o que eles fazem é um “serviço de distribuição parasitário“.

O Meltwater News é um serviço de assinatura/agregação de notícias fundado em 2001 que cobra para realizar monitoramentos personalizados, através de palavras-chave, para clientes que pagam para acompanhar conteúdos distribuídos em 190 países em 100 línguas. No site, a empresa afirma monitorar mais de 162 mil fontes de notícias. Este tipo de serviço é bastante requisitado entre profissionais que dependem de informação de primeira mão. Operadores de compra e venda de ações, por exemplo, podem fazer grandes negociações a partir de informações exclusivas ou mais rápidas.

A Meltwater se defende dizendo que estão simplesmente realizando os serviços de um motor de busca. O cliente encontraria gratuitamente as mesmas notícias monitoradas e oferecidas pela MWNews se pesquisasse pelos termos certos no Google, por exemplo. Ou seja, a MWNews diz que ao contratá-los o cliente paga pelo tempo que economiza: “We are confident that our service is compliant with US copyright law, with the US courts having repeatedly held that Internet search is legal…

 

“Meltwater is not a typical news aggregator”

A ação da Associated Press relaciona a comercialização dos conteúdos com direitos de autoria, mas a agência afirma que o processo não é um ataque à internet, aos blogs ou aos serviços de agregação de notícias em geral. E ainda, que “Meltwater não é um típico agregador de notícias” pois é um sistema fechado vendido apenas para os assinantes por uma taxa específica e não um meio de expandir o acesso público (de acordo com a Wired, a MWNews tem em torno de 18.000 clientes, que pagam no mínimo 5.000 doláres anuais pela prestação de serviço). Para a AP este tipo de serviço tem impacto negativo direto sobre a qualidade dos serviços oferecidos pela mais antiga e tradicional agência de notícias do mundo, pois “compete diretamente com as fontes tradicionais de notícias sem pagar taxas de licença para cobrir os custos de criação destes conteúdos”.

Vale lembrar que a AP é uma cooperativa formada entre gigantes da comunicação estadunidense e tem muitos meios de comunicação de todo o mundo – impresso, digital, radiofônico e televisivo – que pagam taxas para usar o material produzido por eles, inclusive um banco de imagens com mais 10 milhões de fotografias.

Talvez, a Associated Press esteja tentando passar a imagem de que o processo contra a Meltwater News é um caso particular. Porém, sua argumentção pode ser, sem dúvida nenhuma, aplicada a qualquer outro serviço de agregação de notícias na web, como o do gigante em fase de crescimento The Huffington Post, comprado pela AOL no ano passado por US$ 315 milhões e que não cobra pelo acesso ao site mas lucra milhões de dólares em publicidade anualmente. Ou a qualquer outro seviço de monitoramento de conteúdo na web. Poderiamos até dizer que a argumentação se extende para qualquer serviço que agregue os conteúdos produzidos pela AP, seja o Google News ou um perfil no Twitter.

Seria este processo o anúncio de uma guerra aos agregadores de notícias ou a própria web?

Mais:

A Wired compartilhou o processo na integra.

O comunicado da AP.

O comunicado da MWNews.

Endereçar conceitos para resolver o problema da interoperabilidade semântica

A multiplicidade de línguas naturais, a irregularidade das suas gramáticas e dos seus léxicos opõe-se à tradução e ao cálculo automático do sentido. Os numerosos sistemas de classificação herdados da era da tipografia e as múltiplas ontologias informáticas (redes formais de conceitos que permitem o raciocínio automático) são incompatíveis entre si. (…) Se não dispomos já de um sistema universal de endereçamento dos conceitos, é simplesmente porque o problema de coordenação e sincronização de uma memória mundial multicultural em tempo real nunca se colocou antes da nossa geração. (LEMOS; LEVY, 2009, p. 17).

 

LEMOS, André; LÉVY, Pierre. O Futuro da Internet. Em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Editora Paulus, 2010.

A importância da participação social para o compartilhamento de notícias

A web centra-se cada vez mais no usuário. Percebe-se que a plataforma básica deixa de ser um hardware e sistema operacional específicos e passa a ser o navegador web. Isso significa que os usuários se beneficiam com o espaço de trabalho colaborativo da rede que dispensa instalação e atualização de software especializado em seu próprio computador (SANTANCHÈ et al, 2009). Sistemas de transmissão de vídeos por streamming, como no YouTube, ou do serviço de pesquisa e visualização de mapas como o Google Maps, configuram bons exemplos de como esta web centrada no usuário funciona de maneira direta no navegador.

A expressão “centrada no usuário” é aqui utilizada como metáfora para exemplificar o processo pelo qual a produção de conteúdo digitalizada vem ultrapassando nos últimos anos e se intensifica a cada dia. É centrada no usuário, pois a forma como estão sendo organizadas as relações entre os conteúdos armazenados em bases de dados virtuais, em muitos casos – como do YouTube, Google Maps e Flickr, é definida a partir da organização feita pelo próprio usuário.

As implicações dessa evolução para o jornalismo digital se concentram no processo de participação social para o compartilhamento de conteúdo noticioso. A distribuição de materiais jornalísticos em sites que têm essa especificidade (exemplos aqui e aqui) ou em Sites de Redes Sociais – como o Twitter, onde as hashtags e até as mesmo os termos utilizados num “tuite” aparecem como ferramentas de classificação – exemplificam essa ontologia formatada socialmente.

SANTANCHÈ, André et al. Componere: Autoria na Web baseada em Componentes. In: Simpósio Brasileiro de Sistemas Multimídia e Web. SBC, 2009.

Previsto para ser lançado em maio, o HuffPost espanhol seguirá modelo do site americano: baixo custo de produção, investimento em estratégias de SEO e agregação de notícias

O site agregador de notícias Huffington Post em espanhol será lançado em março. Em parceria com o grupo Prisa, o site seguirá o modelo norte americano: baixos custos e planejado para ter maior visibilidade em sistemas motores de busca.

A redação será formada por um pequeno grupo de comunicadores profissionais – aproximadamente 10 – e um forte grupo de apoio formado por blogueiros. Esta estratégia também está afinada com o modelo original do Huffington Post, fundado por Arianna Huffington e parceiros nos EUA. Além dos profissionais e blogueiros, o site contará com a assinatura de um jornalista reconhecido, buscando assim, dar maior credibilidade ao conteúdo distribuido. Há negociações em andamento para que a jornalista espanhola Pepa Bueno seja esta figura.

A jornalista Pepa Bueno é o nome mais cogitado para assumir a direção do HuffPost espanhol.

Os conteúdos do Huffington espanhol serão divididos em 30% produzido pelos blogueiros, outros 30% pela redação e o restante através de agregação de notícias.

Ainda para este primeiro semestre também estão programados os lançamentos das versões francesa e italiana do Huffington, que já tem versões do Canadá, Reino Unido além do original, estadunidense. Atualmente, o Huffington Post tem aproximadamente 37 milhões de usuários únicos por mês, de acordo com a comScore, e conta com uma comunidade de leitores ativa que publica mais de cinco milhões de comentários mensais.

No final do ano de 2011, Arianna esteve no Brasil para ministrar palestras e afirmou que uma versão brasileira do site já estava sendo programada. Naquele momento, Arianna chegou a anunciar seu lançamento para o final de 2011.

As informações são do site espanhol Vozpopuli.

_____

Mais:

aggregators and the news industry: charging for access to content.

Otimizar um texto não significa sacrificar o bom jornalismo. SEO significa amplitude

Por Cleyton Carlos Torres em 07/02/2012 na edição 680 do Observatório da Imprensa*

[...]

Obviamente, o digital possui recursos quase infinitos, quando comparado com o jornal impresso. Só pelo fato de podermos dar continuidade ao texto, com atualizações em tempo real e sem limitações de espaços ou recursos, faz com que o trabalho de escrita na internet passe a ser ainda mais estrutural do que antes.

Porém enganam-se aqueles que blasfemam contra a união do jornalismo com o SEO, alegando que a escrita passará a ser apenas técnica, sem substância. [...] Algoritmos não produzem conteúdo. Quem produz conteúdo de forma racional e estrutura é o homem.

[...]

Um jornalismo digital ainda melhor

Otimizar um texto não significa sacrificar o bom jornalismo. Otimizar um texto não significa escrever para robôs e, quem sabe, produzir para humanos. Usar técnicas de SEO significa, apenas, dar amplitude ao seu conteúdo, maximizando seu alcance e atingindo de forma mais precisa públicos específicos. Artigos bem escritos e otimizados são mais bem aceitos por máquinas – e humanos.**

Unir SEO com jornalismo é uma arte.*** [...]

____

*Artigo originalmente publicado na edição 680 do Observatório da Imprensa. Para ler o artigo completo, acesse o site do Observatório.

**Link não inserido no artigo original.

***Link não inserido no artigo original.

____

Mais:

periodismo en tiempos de google.

Lista de Sites Agregadores de Notícias.

Lista de Sistema Agregadores de Feed.

Fundador do site agregador de notícias Newser.com, Michael Wolff quer acabar com o jornalismo impresso

 

O homem que quer acabar com o jornalismo impresso é um jornalista odiado por boa parte dos editores e representantes das empresas jornalísticas. Seu nome é Michael Wolff. Em 2008, ele publicou The Man Who Owns the News: Inside the Secret World of Rupert Murdoch, biografia sobre o CEO da News Corp que ganhou visibilidade pelas afirmações que beiravam a ofensa. Wolff também é fundador do Newser.com, um site que como os outros sites agregadores de notícias é tido como “parasitas ou vermes tecnológicos no intestino da web” nas palavras de Robert Thomson, editor-chefe do The Wall Street Journal, empresa que faz parte da News Corp de Murdoch.

Neste vídeo, James Goodale entrevista Michael Wolff.


Quem tem razão? Wolff por querer “tirar dos negócios” o jornalismo impresso ou Thonsom e Murdoch, inimigos declarados de sites que agregam notícias?

Mais:

Resenha do The NY Times sobre a biografia de Murdoch escrita por Michael Wolff.

Lista de Sites Agregadores de Notícias.

Lista de Sistema Agregadores de Feed.

Em vídeo, Google argumenta porque SEO faz bem para o jornalismo digital

 

Não é um vídeo exatamente novo, mas quem não viu e gosta de SEO, deve assistir.

Vale o clique também na análise deste vídeo feita por Joshua Benton, diretor do Nieman Journalism Lab da Universidade de Harvard:

SEO lessons from Google News: How to promote your stories, straight from the bot’s mouth.

Laboratório de pesquisa em jornalismo de Harvard propõe um novo conceito para o jornalismo digital: appification

 

[por Dominic Basulto para o site Big Think]*

O estado atual da indústria dos jornais é, na melhor das hipóteses, instável: desde 2007 mais de duzentos jornais reduziram ou pararam de publicar suas edições impressas. Mesmo os jornais mais aclamados do país estão reduzindo suas redações ou suspendendo a entrega à domicilio de jornais impressos. Mesmo depois de abraçar as mídias sociais, os jornais continuam lutando com paywalls e assinaturas. Como resultado, o argumento típico de apoio aos jornais foi baseado historicamente na ideia de que os jornais são um tipo de instituição cívica que nós, enquanto sociedade, devemos preservar em nome de ideiais (sempre em maiúsculo) como a Verdade.

Mas e se, ao invés disto, nós começarmos a pensar nos jornais de uma forma mais mundana: como algoritmos para resolver problemas?

Esta noção de “jornais como algoritmos” baseia-se numa tendência maior: a larga escala da “appificação” da industria dos media. Como Nicholas Carr apontou brilhantemente em um texto do Niemam Journalism Lab da Universidade de Harvard, em dezembro, uma das maiores tendências de 2012 será a segmentação contínua e a emenda de conteúdo dos jornais online para dispositivos móveis em aplicativos:

“Appification promises to be the major force reshaping media in general and news media in particular during 2012. The influence will be exerted directly, through a proliferation of specialized media apps, as well as indirectly, through changes in consumer attitudes, expectations, and purchasing habits. There are all sorts of implications for newspapers, but perhaps the most important is that the app explosion makes it much easier to charge for online news and other content. That’s true not only when the content is delivered through formal apps but also when it is delivered through traditional websites, which may themselves come to be viewed by customers as a form of app. In the old world of the open web, paying for online content seemed at best weird and at worst repugnant. In the new world of the app, paying for online content suddenly seems normal. What’s an app store but a series of paywalls?”

Continuar lendo.

* Artigo originalmente publicado em inglês no site Big Think. Tradução do autor do blog.

Omar Rincón, diretor do Centro de Estudos em jornalismo da Universidade dos Andes, entrevista o pesquisador de cultura e media Jesús Marin Barbero

 

Conversa entre Omar Rincón e Jesús Martin Barbero.

O que muda na indústria jornalística com a expansão dos sites agregadores de notícias

 

The Internet has also changed the way in which news is consumed. Offline, consumers tend to purchase a single newspaper. The newspaper is a bundled product collecting together articles covering a number of topics. A consumer interested in a single article has to purchase the entire newspaper, regardless of whether they are interested in the other articles. Bundling the product provides firms with more scope for horizontal differentiation and such models have traditionally been used to examine competition in the media industry.

Online, it is easier for consumers to personalise their coverage and to switch between providers (Lanchester, 2010). This has meant that the traditional newspaper has been unbundled. Online, articles are consumed as individual products and consumers might use one site for sports coverage, another for business news and yet another for entertainment news. Generally, firms are less able to horizontally differentiate individual articles. (RUTT, 2011, p. 2)

RUTT, James.  Aggregators and the News Industry: Charging for Access to Content. University of Cambridge. 2011.

A ação dos filtros sobre a legitimação social e os modelos econômicos do jornalismo

 

Entendemos que a “institucionalização origina-se de um processo de tipificação (de ações ou atores) em situações sociais que são compartilhadas”. (FRANCISCATO, 2003, p. 34). A conquista de legitimidade que cerca o processo de institucionalização perpassa por espaços de interação onde regras foram instituídas, assim como posições são estipuladas aos sujeitos participantes. Franciscato (2003, p. 35) apontou que haviam dois suportes do processo de institucionalização do jornalismo: o primeiro voltado para as relações sociais geradas e estabelecidas em ambientes internos e externos à organização e outro para as relações econômicas, ou seja, relacionadas ao atendimento de demandas de mercado a partir da produção de uma forma específica de produto, a notícia.

A participação dos sistemas inteligentes como novos atores nos processos de oferta e consumo de informações jornalísticas, inicialmente, nos provocaria com a necessidade de uma nova tipificação de quais são as personagens envolvidas nesse processo, assim como de quais são as ações envolvidas. Dizemos isso, pois, os algoritmos quando hierarquizam e redistribuem os conteúdos produzidos para web alteram o modo como devemos compreender os dois suportes do processo de institucionalização do jornalismo proposto por Franciscato (2003).  Os “filtros” alteram a burocratização e a hierarquização, relações sociais estabelecidas em ambientes internos à organização jornalística, assim como as finalidades que deverão ser reconhecidas para que a legitimação seja socialmente aceita, neste caso, relações sociais externas à organização. Além disso, os “filtros” também agem diretamente sobre os modelos econômicos da organização, uma vez que, para ter acesso às informações digitalizadas, o usuário não necessitaria mais acessar as páginas iniciais de um jornal, alterando os modelos de venda de publicidade, por exemplo.

FRANCISCATO, Carlos Eduardo. A Atualidade no Jornalismo: Bases para sua delimitação teórica. (Tese de Doutorado). PósCOM, Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, 2003.

A verdade e o processo de institucionalização da atividade jornalística

 

A relevância de um fato avaliada pelos jornalistas decorre do discernimento inicial de que nem todos os fatos do mundo têm os mesmos apelos junto aos indivíduos, portanto, nem todos precisam estar disponíveis no noticiário (GUERRA, 2003). Esse processo de seleção do que seve ser noticiado se configura a partir de um conjunto de parâmetros constituídos por determinados atributos que tornam os fatos relevantes ou não. Os produtores de informação atuam, assim, avaliando a adequação dos fatos aos valores-notícia. Essa adequação implica um julgamento de mérito, que determina o valor noticioso de um fato tornando-o digno de divulgação. Os valores-notícia são, portanto, atributos extraídos de uma presumida expectativa de uso do produto por parte dos indivíduos, nos quais os produtores de informação se baseiam para selecionar os fatos (GUERRA, 2003, p. 15).

Assim, por criar padrões de relevância para o que deve ser notícia e o que não deve, o jornalismo cumpre um papel social específico e conquista uma legitimidade social para reproduzir as ocorrências cotidianas (FRANCISCATO, 2003), e é essa legitimidade dada pela audiência que permite que classifiquemos o jornalismo como uma instituição social.

O processo de institucionalização da atividade jornalística (GUERRA, 2003) perpassa por situações que, da mesma forma que o descuido com a verdade pode comprometer a solidez do contrato de mediação, o não atendimento das expectativas de uso da audiência pode igualmente pôr em risco o investimento dos diferentes atores sociais nesse mesmo contrato por não se sentirem contemplados pela oferta disponibilizada (GUERRA, 2003, p. 14).

FRANCISCATO, Carlos Eduardo. A Atualidade no Jornalismo: Bases para sua delimitação teórica. (Tese de Doutorado). PósCOM, Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, 2003.

GUERRA, Josenildo. O Nascimento do Jornalismo Moderno. Uma discussão sobre as competências profissionais, a função e os usos da informação jornalística. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, XXVI, Belo Horizonte.

Agentes inteligentes auxiliando o fazer jornalístico

 

Pavlik (2001) já apontava no começo deste século que a introdução de agentes inteligentes na ação de fazer e consumir informação ajudaria a reduzir os ruídos provocados pela imensidão de conteúdos que são depositados na internet todos os dias, além de transformar a prática do jornalismo e a própria notícia. Mas os problemas que preocupavam Pavlik (2001) há dez anos ainda são pertinentes quando observamos a introdução de não humanos, de maneira efetiva, na prática de selecionar e estabelecer critérios de relevância para as informações que serão apresentadas ao leitor/usuário: “Althougt intellingent agentes have the potencial to serve as valuable tools in reduncing information overload, they raise a variety of ethical concerns as well” (PAVLIK, 2001, p. 183). Em sua reflexão, o autor apresentou quatro principais questões que cercavam essa nova dinâmica:

(1) How do inteligente agentes affect the way journalists do their work? (2) What are the implications of inteligente agentes for the contente of News? (3) How will intelligent agents affect newsroom or news industry structure? (4) What are the implications of intelligent agents for the news audience?

 Essas quatro perguntas diziam respeito a questões que envolviam o processo de produção e consumo de conteúdo noticioso digitalizado. Pavlik (2001), naquele momento, concluiu que os agentes inteligentes poderiam ocupar a posição de auxiliares, tanto para os jornalistas – na ação de filtrar informações e construir narrativas; quanto para os leitores personificarem o modo como queriam ter acesso aos conteúdos.

PAVLIK, John V. Journalism and News Media. Columbia University Press, 2001.

Buscando categorizar os sites agregadores de notícias

 

Partimos da afirmação de Barbosa (2007, p. 227):

Os agregadores funcionam de maneira totalmente automatizada, que, empregando agentes inteligentes, isto é, algoritmos, podem indexar os resultados segundo as categorias temáticas predefinidas ou de acordo com um perfil temático específico.

Também concordamos com a delegação que Pavlik (2001, p. 183) dá aos agentes inteligentes classificando-os como “information filters, personal editors, and news summarizes in the digital age”. Pavlik (2001) não fala de delegação, mas é deste modo que entendemos seu posicionamento. Ao aceitarmos os agentes inteligentes como ‘editores pessoais’, por exemplo, mais do que delegarmos a ação em si, transferimos para estes nosso sentido de uso da técnica. Delegar com eficácia significa dar uma função específica a uma pessoa, objeto ou instituição específica, concedendo-lhe a responsabilidade de gerar resultados de forma eficiente e produtiva.

Somando as inferências de ambos os pesquisadores com nossa observação de alguns exemplares de sites agregadores de notícias, neste estudo assumimos que a definição operacional de agregador de notícias que nos guiará é a de um produto noticioso que se configura tendo como auxiliar efetivo os agentes inteligentes. Suas especificidades serão definidas pelo modus operandi da hierarquização das notícias ofertadas à audiência. [...]

BARBOSA, Suzana. Jornalismo Digital em Base de Dados (JDBD): um paradigma para produtos jornalísticos digitais dinâmicos. (Tese de Doutorado). PósCOM, Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, 2007.

PAVLIK, John V. Journalism and News Media. Columbia University Press, 2001.

Citação do livro Jamais Fomos Modernos, de Bruno Latour

 

Os humanistas modernos são redutores, já que tentam relacionar a ação com determinadas potências apenas, transformando o resto do mundo em meros intermediários ou simples forças mudas. Quando redistribuímos a ação entre todos os mediadores perdemos, é verdade, a forma reduzida do homem, mas ganhamos uma outra, que devemos chamar de irreduzida. O humano está no próprio ato de delegação, no passe, no arremesso, na troca continua das formas. É claro que ele não é uma coisa, mas as coisas também não são coisas. É claro que ele não é uma mercadoria, mas as mercadorias também não são mercadorias. É claro que ele não e uma máquina, mas aqueles que já viram as máquinas sabem quão pouco maquinais elas são. Claro que ele não pertence a este mundo, mas também este mundo não pertence a este mundo. Claro que ele não está em Deus, mas qual a relação existente entre o Deus do alto e aquele que deveríamos dizer de baixo? O humanismo só pode manter-se dividindo-se entre todos os seus enviados. A natureza humana consiste no conjunto de seus delegados e de seus representantes, de suas figuras e de seus mensageiros. (LATOUR, 1994, p. 136)

LATOUR, Bruno. Jamais Fomos Modernos: Ensaio de Antropologia Simétrica. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.